No último dia 30, terminou em Belém, a exposição “Andalucía 1935” de fotografias do etnólogo e, obviamente, fotógrafo francês (francobrasileiro) Pierre Verger- que pena não poder anunciar o início do evento, é que a criação desse blog se deu justamente no dia 30. A mostra contou com imagens capturadas durante uma viagem, a bordo de uma bicicleta, feita pela Espanha do período pré-guerra civil, em especial, a região de Andaluzia que possui uma grande variedade geográfica e cultural.
Além da Espanha, Verger rodou também pelo resto do mundo, nem sempre, é claro, em cima da magrela. Tudo isso começou quando, após a morte de sua mãe, decidiu aprender um novo ofício: a fotografia e levar uma vida errante pelo mundo afora, muito diferente da que tinha levado até então, onde desfrutava dos privilégios da boa condição financeira: "A sensação de que existia um vasto mundo não me saía da cabeça e o desejo de ir vê-lo me levava em direção a outros horizontes".
Sempre acompanhado de sua Rolleiflex, Verger teve contato com as mais diversas culturas, fotografou variados lugares e, principalmente, pessoas. As coisas mudaram quando verger chegou à Bahia, a tranqüilidade do lugar o seduziu, deve ter sido o contraste com a Europa pós-guerra: era o ano de 1946. Lá ficou, em meio ao povo simples onde se sentia bem, conheceu o Candomblé, religião na qual foi iniciado como babalaô: “O Candomblé é para mim muito interessante por ser uma religião de exaltação à personalidade das pessoas. Onde se pode ser verdadeiramente como se é, e não o que a sociedade pretende que o cidadão seja. Para pessoas que têm algo a expressar através do inconsciente, o transe é a possibilidade do inconsciente se mostrar".
Logo se viu com um novo oficio: o de pesquisador. Verger estudava a diáspora africana, se dedicou à história, costumes e religião dos povos iorubas e descendentes na Bahia e África Ocidental, se tornando um mensageiro entre esses dois lugares. Escreveu livros, artigos e colaborou em pesquisas sobre o tema.
Ainda assim, Verger não deixou de ser nômade, em seu vasto acervo podem ser encontradas fotografias feitas em Belém e alguns outros municípios do Pará. Grande parte desse acervo pode ser vista no site da fundação Pierre Verger.










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